A ideia de que todas as pessoas são recuperáveis dos seus crimes, é falsa. Porque tanto o problema quanto a solução, são mais abrangentes do que é pensado inicialmente. E sendo o social o ponto mais importante da questao, logo precisa ser solucionada.
A partir da compreensão de “Como funciona o Cerebro”, publicado no livro O Demônio da Simplicidade, todas as ideias sobre essa área se expandem e se alteram fortemente em outras direções, muito mais claras e bem definidas. Sem esse modelo, estaríamos falando sobre alma, espiritismo e tudo sobre o cérebro como se fosse um órgão do corpo que tem vida própria e independente do indivíduo.
Quando você era criança, cresceu na sua casa com seus pais, começou a desenvolver uma imagem mental sobre quem é você, sobre quem são seus pais, e sobre como você imaginava o que eles pensavam de você. Quando começou a ter contato com outras pessoas, amigos, vizinhos, colegas da escola e do trabalho, continuou a fazer a mesma coisa. Foi elaborando uma imagem sua em relação a cada um deles, e imaginando o que eles pensavam sobre você. Essa imagem mental que você criou, é você mesmo. E continua até hoje. Você ainda é aquela criança. Fez alguns ajustes, aumentou um pouco, reduziu algumas coisas, mas na essência continua sendo a mesma criança. Então temos que fazer uma pergunta. O que precisamos fazer para você mudar essa sua imagem?
Dividimos um indivíduo em três partes. Uma é o mental, psicológico, que na pratica é essa imagem. Outra é o corpo físico, que necessita de ar, água, alimentos, limpeza, medicações etc. E a terceira é que o corpo físico pode ter o aparelho sexual masculino ou feminino. Dessas três partes, qual delas é a mais importante para você? Como é óbvio, é a parte mental. Porque é essa parte que é você de fato. As demais são extensões de você para agir nesse mundo e nessa realidade.
Se conseguirmos mudar você, o seu corpo vai te seguir. O seu corpo por natureza óbvia, não pode ser acusado de algum crime, nem mesmo o seu aparelho sexual em si. Porque sendo você o real indivíduo que controla os atos do seu corpo, o culpado será sempre você. Mas como não é possível tocar em você propriamente, temos de tocar no seu corpo para fazer alguma punição ou mesmo para tentar te forçar a mudar seu comportamento.
De fato estamos falando que, o único procedimento que existe para fazer você mudar a imagem que criou da vida, é apenas forçando você através do seu corpo físico. Então temos um problema porque, se forçarmos demais, você vai se revoltar, e se for de menos, você vai desconsiderar o pedido. Esse é o método que o estado usa há milhares de anos contra os indivíduos que cometem crimes. E nunca funcionou.
O método que tem melhor funcionado é o Tempo. Porque invariavelmente todos os indivíduos vão se alterando ao subir cada fase do desenvolvimento pessoal. Esse método, usado pela natureza desde o início da humanidade, tem funcionado bem. O problema é o tempo.
Então temos dois métodos que podemos usar para fazer você alterar quem você é desde a sua infância. Mas esses dois métodos têm falhas graves, e nenhuma garantia de sucesso a cem por cento. O que fazer quando os dois métodos falham? A resposta pode ser dura, mas não existe outra. Somos obrigados a reconhecer que não existe solução para alguns indivíduos, e que um deles até pode ser você.
Nessa fase, partimos para a análise das soluções em segunda instância, já que a primeira falhou. Vamos analisar a gravidade do comportamento do indivíduo, e determinar o risco para os demais indivíduos vivendo próximos. Temos então de considerar que, se não conseguimos alterar o seu modo de pensar, então devemos partir para outra instância de soluções. É perfeitamente aceitável a falha de qualquer método em uma determinada margem de erro. E temos de aceitar que você pode estar sim dentro dessa margem de erro. E você mesmo deve também considerar esse fator sobre a sua personalidade e o que está provocando no seu grupo social. Se não conseguimos alterar você, é bem possível que não alteremos muitos outros também.
Podemos determinar a qualificação da imagem mental do indivíduo através de avaliações psicológicas. Então temos que essas avaliações precisam estar estritamente dentro da lógica, e não referente a cultura do local ou da época.
A consideração fundamental é sobre o grupo social em que o indivíduo está inserido, ou tem algum contato. Avaliamos então se for baixo o risco de danos sociais graves, podemos deixar para que seja aproveitado pelo tempo de vida que o restar. Caso seja alto o risco social, não existe solução alternativa além da desativação do indivíduo.
*texto do programa ISHIC Foundation
*texto do livro O demônio da Simplicidade
